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  O Efeito Google e o Esvaziamento do Ser

Por: Odair Comin
Psicólogo Clínico e Escritor

Colunista
 
 


Num passado não muito disante, existia um jargão: “você não precisa saber de tudo, só precisa ter amigos que saibam”, não que ele tenha se tornado uma inverdade, mas hoje, é o google quem ocupa o lugar desses amigos. Basta digitar a pergunta, e as milhares de respostas aparecem como num passe de mágica. Assim como a moda hoje, é o armazenamento de dados nas nuvens, nós também seguimos o mesmo padrão. Há bastante conhecimento diponivel, entretanto, está fora de nós. A consequência, é que estamos nos esvaziando. Não precisamos mais saber, guardar na memória, articular com nosso próprio conhecimento, ou mesmo gerá-lo. Temos isso muito fácil, e o ser humano normalmente escolhe o caminho mais fácil.

Assim como não podemos culpar a arma por um  assassinato, não poderíamos culpar os mecanismos que nos disponibilizam a informação. Antes sim, aprender a usá-los com temperança. A interação das informações no mundo virtual, que forma uma teia poderosa, só é possivel porque o conteúdo está lá. Portanto, isso só será possivel no humano, se o conteúdo estiver dentro dele. Quanto mais poder outorgamos ao que está fora de nós, mais fracos nos tornamos, e nesse caso, mais vazios.

Haverá aqueles que irão discordar, e que bom que há diferentes pontos de vista, a diverssidade produz riqueza de experiências e percepções. O que armazenamos então? Se tantas coisas já não nos são “necessárias”, já que temos calculadoras, celulares, computadores, numa infinidade de versões. Não mais armazenamos, consumimos informações. Assim como fazemos refeições diárias, vamos ao mercado, ao restaurante, ao shopping. Consumimos hoje, amanha é necessário mais, porque o de ontem, já não mais vale. Assim como o prato de comida de ontem, não nos alimenta hoje. Conteudo e comida, coisas diferentes que tratamos como igual. Bom para o restaurante, bom para os produtores de informações. Como a própria palavra sugere, in-formação, ou seja, não formação, ela nos informa, mas não forma.

Quanto mais nos alimentamos de informações, mais vazios ficamos, porque elas são fugases, não nos preenchem, apenas nos distraem, nos resgatam da solidão, nos dão assunto para comentar com o vizinho, a amigo, o colega. Em instantes tudo se torna obsoleto, e como um glutão de fatos e acontecimentos, precisamos vorazmente de mais. A imprensa, a mídia deseja e impõe essa “necessidade”. Já que só buscamos a informação que nos transpassa, nos esvaziamos dia-a-dia. E quando precisamos de conteúdo, buscamos fora, normalmente no mundo virtual. Não se trata de deixar de utilizar as ferramentas que temos à disposição, mas também de nos munirmos de conteúdos consistêntes, profundos. Estes que nos formem seres humanos estruturados, fortes emocionalmente, lúcidos, que pense e que tenha dominio de si mesmo.


 
     
 

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